Aula de português

A linguagem na ponta língua,
tão fácil de falar e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
(...)
O português são dois; o outro, mistério.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 5 de março de 2010

Lord Byron O poeta que inspirou o mundo

Adeus
Adeus! e para sempre embora, Que seja para nunca mais: Sei teu rancor - mas contra ti Não me rebelarei jamais. Visses nu meu peito, onde a fronte Tu descansavas mansamente E te tomava um calmo sono Que perderás completamente: Que cada fundo pensamento No coração pudesses ver! Que estava mal deixá-lo assim Por fim virias a saber. Louve-te o mundo por teu ato, Sorria ele ante a ação feia: Esse louvor deve ofender-te, Pois funda-se na dor alheia. Desfigurassem-me defeitos: Mão não havia menos dura Que a de quem antes me abraçava Que me ferisse assim sem cura? Não te iludas contudo: o amor Pode afundar-se devagar; Porém não pode corações Um golpe súbito apartar. O teu retém a sua vida, E o meu, também, bata sangrando; E a eterna idéia que me aflige É que nos vermos não tem quando. Digo palavras de tristeza Maior que os mortos lastimar; Hão de as manhãs, pois viveremos, De um leito viúvo despertar. E ao achares consolo, quando A nossa filha balbuciar, Ensiná-la-ás a dizer "Pai", Se o meu desvelo vai faltar? Quando as mãozinhas te apertarem E ela teu lábio -houver beijado, Pensa em mim, que te bendirei Teu amor ter-me-ia abençoado. Se parecerem os seus traços Com os de quem podes não mais ver, Teu coração pulsará suave, E fiel a mim há de tremer. Talvez conheças minhas faltas, Minha loucura ninguém sabe; Minha esperança, aonde tu vás, Murcha, mas vai, que ela em ti cabe. Abalou-se o que sinto; o orgulho, Que o mundo não pôde curvar, Curvou-se a ti: se a abandonaste, Minha alma vejo-a a me deixar. Tudo acabou - é vão falar -, Mais vão ainda o que eu disser; Mas forçam rumo os pensamentos Que não podemos empecer. Adeus! assim de ti afastado, Cada laço estreito a perder, O coração só e murcho e seco, Mais que isto mal posso morrer. Lord Byron

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